Poemas que brotam da Terra Rica, destino da Caravana Literária

Caravana Literária em Terra Rica

Caravana Literária me levou para Terra Rica. A Secretaria Municipal de Educação e Cultura ocupou a praça em frente à sua sede. No meio da praça, está a Biblioteca cidadã Professora Sebastiana dos Santos. Em uma deliciosa tarde de calor, tinha uma árvore da qual brotavam poemas meus. Tinha ipê florido. Teve por-do-sol. Pela primeira vez na vida tive a felicidade de ter um público que era maior do que o número de cadeiras. Popstar.

Falei muito. Falei da minha história de menina pobre pé vermelho. Falei do meu pai, Candinho, e dos primeiros presentes da minha infância de que tenho memória: livros, portas pra fugir da sem gracice da vida. Trazia na bagagem algumas relíquias, entre elas o segundo volume da coleção “Alvorada da Vida”, com a dedicatória do meu pai, no dia do meu 6º aniversário. Trouxe e pus na roda, porque é uma daquelas coisas da categoria ver para crer.

Dedicatória Histórica

Falei muito. Dos livros que eu amo, cada um dos títulos da pilha que postei aqui outro dia. Da alegria reiterada com o milagre da canção, todas as vezes em que ouço minhas palavras musicadas. Ouvimos ORIGAMI, a primeira de todas as canções que compus em parceria, poema musicado por Iso Fischer, em 1994. Falando deste nosso tempo, que escorre pelos vãos dos dedos e não mais nos concede a calma para o livro, ouvimos PRAZO FINAL, minha parceria com Cláudio Menandro. Falando dos troféus que a vida nos concede, ouvimos SETE TROVAS, minha parceria com Consuelo de Paula e Rubens Nogueira, na voz da Maria Bethânia.

Levo na bagagem de volta os livros “Vale do Paranapanema – Sonhos de uma Terra Rica”, de Edson Paulo Calírio e “Minha vida, minha terra, minha gente”, de Mauro Martins. Foi, sobretudo, uma tarde de trocas.

Falei, finalmente, dos livros que escrevi, e d´O Herói Provisório, que é onde mora, neste momento, o meu coração.

Falei muito, e o que eu queria dizer era apenas aquilo em que acredito: noves fora o decretado falecimento do livro, enquanto houver o homem e a sua aventura, haverá quem queira narrá-la, reinventá-la, poetizá-la, cantá-la, e quem queira dela saber. Isto é o livro; o resto são suportes, veículos e os ácaros que amamos. E cabe a nós, os do século passado, correr atrás do prejuízo e encontrar o jeito de fazer chegar essa paixão aos deste século. Se vamos ou não conseguir fazê-lo, é uma outra história. Mas o nosso papel é esse.

Se trago um livro de 59 anos de idade, que simbolicamente desenhou uma vida para mim; posso acreditar que, dentro de mais 50 anos, um daqueles garotos ou garotas possa estar na cadeira em que me sentei, falando de uma janela que esteja neste momento se abrindo aos seus olhos.

Falei muito. Ouvi muito. Foi lindo. Quero mais disto para a minha vida.

Obrigada, Terra Rica!

Etel Frota

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