LYRICAS
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ARTIGO OITAVO
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":: Nasci em 1952, em Cornélio Procópio,
uma cidade de morros e de ventania.

Talvez venha desse excesso de vento e amplidão, quando menina, um certo avoamento.
Sempre gostei da minha data de aniversário, dia 5 de maio, até que
e
acharam por bem começar a entristecer este dia.
Fui fazendo as coisas da minha vida numa sequência um pouco inusitada. Fui professora e bancária.
Por último, durante 18 anos, fui médica, pra acabar virando artista.

Estudei na FaFi de Cornélio Procópio (também ali pertinho do Cristo) e na Faculdade de Medicina da UEL,
em Londrina. O campus era no campo, e era chamado Perobal
(... mais amplidão, mais vento...)
Desde 1980 vivo em
Curitiba
.
Nesse mesmo ano a vida me inaugurou como mãe. Fui parindo, homeopaticamente, até os 44 anos.
Jonas, Luisa e Clara: belos nomes, belas pessoas. Aprendizado de responsabilidade e entrega, prática do gozo inefável no trivial
.
A mais radical de todas as aventuras.
Aos 41 anos, me vi
escrevendo poesia
.
Musicaram alguns de meus poemas, e me provocaram a escrever letras - descobri aí minha vocação
para o exercício da parceria
,
essa abençoada modalidade da criação compassiva. Nos últimos anos essas parcerias
se multiplicaram, por obra e graça da internet e do grupo
,
do qual sou fiel escudeira.
Em 1997, a médica começou a dar sinais de inanição. Deixei a clínica, criei
coragem para aparecer num festival de compositores
,
escrevi roteiros,
inventei uns espetáculos de música & poesia, me improvisei como produtora
(... até descobrir que costuma ser um improviso de péssimos resultados, quando tentado por
pessoas avoadas...).
Tive algumas canções gravadas em discos
de parceiros e intérpretes, fui indicada para alguns prêmios
- ganhei uns e perdi outros - escrevi um
livro e gravei um CD, dei algumas
entrevistas
,
plantei uma pitangueira,
meus amigos, meus discos e livros
.
E, como já tinha tido todos os filhos que me cabiam na presente encarnação, fui feliz para sempre....
